Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

A Hora Rubra

Faço parte de um universo em ebulição – o grau de particularidade dele varia conforme o dia – e já admiti que é fato consumado e notado...talvez (espero) não irremediável.
Poderia ser algo edificante, tal como uma ebulição cultural, ou mesmo emocional?! Quem sabe...
...mas vamos andando por que ela se aproxima e me oprime cada vez mais, a cada minuto que escorre em minhas gotas de suor. De cima, ela me enxerga e se adianta às minhas artimanhas de evitá-la.
É digno de nota sua própria artimanha...pois você é consumido (cozinhado ?) se andar muito devagar e é tanto pior se resolver se apressar (fritado ?).
Mas dane-se.
Tenho treze minutos para chegar logo ali adiante nas treze horas (um lugar muito simpático)...mas, em tal momento o calor insano mostra-me o quanto mais insano sou do que ele próprio sonha e se atreve a ser.
É a hora rubra.
Perco o controle sobre mim mesmo, passo a odiar a tudo e a todos, incluindo o próprio ar que respiro...lágrimas escorrem, pois passo a sonhar com minha sala com ar-condicionado que está a cada passo mais próxima...
A sabedoria dita as ações a partir de certa altura da vida...pois então, tens a palavra: “O ideal é não ir tão rápido que pareça ter medo, nem tão devagar pois pode parecer uma sórdida provocação”.
E isso não seria adequado.
Mas enfim... é tudo uma questão de respirar, respirar profunda e pausadamente...
apenas não devo ir muito rápido...nem muito devagar...nem muito rápido...nem muito devagar...
Calor.
Calor insano...e de repente...frio
Frio artificial.
E de repente a hora rubra acaba...me dou um tapinha nas costas e sussurro em meu ouvido : “sobreviveste novamente..”.