sexta-feira, junho 30, 2006

Mudança de Ares

Atualizem seus favoritos e links : http://willdalosto.wordpress.com

domingo, junho 25, 2006

Quatro do Sete, o Tempo Está Se Esgotando...

Eu realmente tenho tido problemas com prazos e metas nos últimos tempos, tanto no trabalho quanto na faculdade e, extrapolando um pouco, até na atualização deste blog...o arquivo ponto doc no qual escrevo ainda ostenta um "Atualização de 20.06.06" no título, e vejam só quando estou escrevendo.
Mas, se a terapia é boa acabamos a (re)adotando mais cedo, ou mais tarde; então busco aqui nesta essecial perda de tempo um ganho do mesmo em curto prazo para honrar meus tantos compromissos. Procurar inspiração para dois insossos trabalhos da faculdade nem sempre é tarefa fácil e...bem, é nesses momentos nos quais a velha arte do diálogo vazio mostra todo o seu potencial.
É necessário, neste contexto, pensar positivamente (eu devo...repito sempre cá comigo). Apenas mais alguns dias. Só mais dez dias, mais nove...uma contagem regressiva dramática (sim, eu sei que sobreviverei, como nos últimos quatro fins de semestre) para o fim momentâneo destes pouco produtivos últimos instantes de semestre. A expectativa do tempo livre para ler meus livros que as férias proporcionarão quase me deixa feliz.
Ei !!! Parece que já tenho algo para postar...

P.S - Ah, maldita crise de crtiatividade...

segunda-feira, junho 12, 2006

Três Vinténs ( II )

b)As cold as silence…

...e assim começa uma semana. Segunda-Feira. Névoa fria. A sempre sofrível ação de cair da cama e sair engatinhando pela rua, apalpando a calçada fria até encostar-me no poste do ponto do ônibus. Seria hipócrita da minha parte afirmar que a intensa neblina da manhã me desagrada. Absolutamente. Um dos meus princípios preconiza que a vida começa em Junho, a vida começa com a névoa, e a vida (re)começa com o frio.
Enfim, algo para me confortar neste “doze do seis” solitário (embora eu realmente não esteja pensando muito nisso, só me dei conta do dia à noite) além do delicioso novo disco do Neil Young no meu Mp3 Player.
No ônibus os ruídos do burburinho e do trânsito da Ipiranga não me desconcentram da música, levando-me apenas a ter de aumentar em mais dois pontos o volume do som. Começo a transformar em poesia e letras de música a caprichosamente suja e enevoada Porto Alegre que vislumbro no trajeto entre minha casa e a faculdade. Tudo é tristemente perfeito.
Escuto um estálido forte, e antes que eu dê maior atenção ao fato o ônibus já está estacionando e o motorista afirmando e ordenando, altivo e sem margem para nenhuma contestação: “Estragou ! Todos para fora !”. E os passageiros – eu incluso – levantamo-nos e saímos do veículo, patéticamente conformados, seguindo à risca este civilizado comportamento de brasileiro da primeira-década-do-século-vinte-e-um...e lá estava eu - novamente - apalpando a calçada silenciosamente (Refiro-me ao silêncio interior, uma variante do vazio existencial. Entendem?), tentando fazer uma relação lógica entre o frio e esta espécie de silêncio.
Sim, mudei a trilha sonora; passei o resto do dia escutando o disco mais depressivo do The Cure para me alegrar.
E sim, eu cheguei atrasado, e...ora bolas! É necessário continuar?

terça-feira, junho 06, 2006

Sinfonias do Acaso

Era fascinante o universo daquela decadente rua da nossa tão decadente Capital, naquela noite fria. Aquelas esquinas são os ícones divisores de uma imensa e natural aventura; corre-se sempre o risco de ser visto como um cliente em potencial de substâncias ilícitas...mas, isto em si não é nenhum impasse que uma ou duas negativas não resolvam, mesmo por quê desta vez eu não carregava vinte e seis dólares em meus bolsos, tal qual aquela canção do Velvet.
Percebi algumas pessoas tremendo de frio na frente daquele bar, e outros que tremiam de...bem, esqueçam. Eu já ia me tornar irrelevante e indiscreto. Sobretudo indiscreto.
Mas, o ponto a ressaltar são algumas das características percebidas nos freqüentadores do local e da respectiva vizinhança. As rodas de diálogo nas calçadas fluem – via de regra - geralmente em torno de alguma garrafa de algum líquido que contenha álcool em sua essência; fato extensamente conhecido, eu admito...porém outras destas rodas efetuam uma construção de idéias dignas de nota.
Eles agem da seguinte forma: Discutem alguma idéia até a exaustão...nisso se incluem movimentos artísticos obscuros até troca de impressões sobre sinfonias e compositores inexistentes. É algo que parece que não vai ter fim nunca, eu quero dizer : uma discussão muito difícil e tremendamente improvável de ser interrompida por qualquer coisa que possa ocorrer em volta – exceto talvez por algum bizarro elemento do acaso.
E o fato é que, chuvas de sapos são coisas que acontecem, relembrando aquele célebre filme.
Voltando ao ponto. Em uma grande e compenetrada discussão nada, em teoria, tira a atenção de seus participantes. Nada. Exceto talvez um ônibus que passa pela rua em baixíssima velocidade, com um elemento atípico: um letreiro de itinerário escrito NONOAI em letras absurdamente garrafais (falando de forma séria, nunca ninguém de nossa cidade havia visto um ônibus com um letreiro de itinerário tão gigantesco). Todos ficaram pasmos...atarantados...era como se Pete Townsend tivesse despedaçado sua guitarra no meio da rua após surgir de um portal extradimensional.
Vi, enojado, a urina molhar a calça de algumas pessoas mais impressionáveis. Ah, novatos...mas, de fato, apenas o ônibus desapareceu - sumindo na próxima esquina - e todos voltaram às suas conversas, como se tal rara e inebriante visão não tivesse passado de um fugaz pesadelo de fim de noite.
Sim, eles optaram por esquecer, e voltaram às exposições de suas teorias de salvação da humanidade.
Estupidamente etílicos, estupidamente afáveis. E estes elementos do acaso, ah...eles, por vezes, fazem a vida quase valer a pena.

domingo, maio 28, 2006

Três Vinténs ( I )

a)Blind Man Kissing My Hand...

...assim, entrei no banheiro do meu local de trabalho; talvez não tanto pela real necessidade fisiológica em si e mais pela necessidade vagabundológica de matar um pouco de tempo justificadamente. Defronte ao espelho um homem de uns trinta e poucos penteava os cabelos. Eu o conhecia muito pouco, apenas de vez por outra cruzar pelos corredores, correndo as horas como sempre, sem prestar maior atenção nos irrelevantes detalhes da nossa futilidade conjunta.
Eis que ele deixou cair seu pente e eu, solicitamente – e em uma franca atitude de boa educação – o juntei...
- “Seu pente...”. Mostro-o quase sorridente, esperando que o rapaz dê um passo, ou dois, em minha direção e o apanhe. Nada fora do comum.
Ele virou-se em minha direção e agradeceu; também nada de anormal...a não ser pelo fato dele ficar estranhamente estático no mesmo lugar, me mirando com seu olhar vazio e mortiço; eis então o que eu fiz :
Andei os dois passos em sua direção e praticamente coloquei o pente em suas mãos. Cortesmente perguntou meu nome, qual setor que eu trabalhava...e se maldisse por ter de ficar tanto tempo isolado no seu departamento, raramente saindo...
Uma boa pessoa.
Com alguma sorte, espero que ele não tenha percebido que demorei longos e desconcertantes três segundos para notar que ele era cego...

sábado, maio 13, 2006

Em Dois Momentos

Segunda-Feira, 8 de Maio de 2006.

Corto caminho entre os carros parados no congestionamento que a tenra hora da cinzenta manhã de segunda proporciona. Contorno as grades de ferro, subo rampas, entro no velho bloco de (in)concreto, irrompo portas, uma a uma...mais uma última e chego. Aonde ?
Sala de aula quase vazia, somente um amigo...e ele já tem problemas suficientes para eu o afrontar com o desabafo dos meus.
Sim, detesto manhãs de segunda-feira...meu asco com a grande parte das pessoas que me circundam na sala faz com que eu olhe por reflexo para janela, no exato momento em que vislumbrei um outro reflexo (o de um raio) rebatido nas vidraças. A coincidência me diverte. Mantenho a janela em vista...esperando que um fenômeno semelhante voltasse a acontecer. Uma reles curiosidade infantil, admito...

Domingo, 7 de Junho de 1987.

Aquela estranha luz branca que é disparada daquela estranha caixinha preta que minha mãe está segurando aumenta meu estranhamento com absolutamente tudo o que me rodeia...mas, por hora, fico fascinado com o objeto, e espero – ansioso – que outro fascinante clarão venha daquele lugar, o que de fato ocorre, me dando uma alegria inexplicável.
Estou em frente de casa e tudo o que me rodeia desperta a fascinante fascinação e é combustível para minha enorme e imensa curiosidade (não me recriminem pelas redundâncias, tenho apenas dois anos e meio de idade e ainda não aprendi a ler e escrever) pelo grande mundo estranho que me rodeia...na minha própria rua (na verdade eu sequer entendo o conceito de mundo, mas isso pouco importa, a partir do momento em que eu não sei o conceito de conceito).
A árvore quase sem folhas da frente de minha casa (é final de Outono, isso é interessante constar) desperta minha súbita atenção. O que aconteceu com as folhas ? eu me lembro que haviam folhas !! Eu as via da janela do meu quarto !!! Para aonde elas tinham ido ?? Por quê haviam se ido ???...e, procurando atentamente pelas folhas desaparecidas nos galhos inermes meus olhos esbarraram no sol de quase-solstício. Oh, meus olhos sempre foram sensíveis, imediatamente abaixo a cabeça para direção ao chão e ameaço um choro. Mas, eis que duas folhas secas, arrastadas pelo vento no canto da calçada me reavivam a curiosidade...desisto de chorar, por enquanto.

Segunda-Feira, 8 de Maio de 2006.

Estou sentado no pátio do prédio. Observo com curiosidade anormal, próximas de mim, as folhas secas que minhas botas pisaram agora pouco, de fato...também observo com certa curiosidade os seres humanos que se amontoam próximos a mim, alguns com pouco interesse, outros com uma quantidade de interesse um pouco maior.
Os seres humanos me dão uma tristeza inexplicável.
Eis um homem insignificante que não presto atenção...eis uma moça pouco digna de nota...eis aquele professor com sorriso canalha que sempre me cumprimenta...eis uma moça que me desperta sentimentos mistos de raiva e orgulho...e vergonha.
Sentir raiva e orgulho ao mesmo tempo me dá uma imensa vergonha...Desvio os olhos para outro lugar, mantenho-me firme...mas pouco importa, sou mesmo um homem ridículo por ainda me importar com isso tudo.

Domingo, 7 de Junho de 1987.

Um gato passa correndo perto de mim, e é lógico que, por uma curiosidade puramente instintiva, tento correr atrás dele, porém minhas pernas ainda claudicantes e pouco confiáveis não permitem tal proeza.
Minha mãe me segura no exato momento em que eu começava a desabar sobre mim mesmo...eis então que sinto pela primeira vez uma sensação estranha, vazia...que anos depois eu saberia explicar perfeitamente.
Frustração.
A frustração é um sentimento relativamente simples e muito verdadeiro; porém para mim era o que bastava no momento, eis que tinha a lição de vida do dia. Irritado, desviei o olhar para o velho e ornamentado portão preto de pouco mais de um metro de altura...uma das coisas das quais anos mais tarde eu sentiria notável nostalgia.
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Extrapolando, seria talvez um símbolo (?) da criança aguerrida (embora terrivelmente tímida) que estava se formando ?? Não, não desistiria de tentar olhar para cima - mesmo que tivesse que desafiar o sol novamente - , não desistiria de perseguir o gato e...sim, até pularia aquele altíssimo (!) portão.
Claro que depois que envelheci esta perspectiva mudou pavorosamente...

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Mais um clarão daquela caixinha preta registrou meus ingênuos e cândidos anseios para a posteridade...

Segunda-Feira, 8 de Maio de 2006.

Novos clarões em um canto distinto do horizonte denotam que a chuva não vem mais...me abandonou ! Apenas deixou a opressão de recordação.
Mas voltando...
Vergonha de ter raiva e orgulho simultaneamente?! – Rolo no chão de tanto rir de mim mesmo por semelhante besteira, sou um homem ridículo, essencialmente ridículo...
Por quê uma criança de menos de três anos deixaria de estar certa ? Apenas seguia seu instinto de curiosidade. Mas eu, no meu estado atual, tenho opções...convenhamos !!!
Uma das pessoas que vislumbro no pátio - acho que uma das que me causa sentimentos mistos (não tenho muita certeza e isso sinceramente pouco importa, ou nada importa) - , passa correndo perto de mim...
Não. Não saio correndo atrás (como por reflexo). Olho para a coisa mais interessante próxima de mim (o bico de minha bota) e penso : “Somente uma criança de três anos...ou uma pessoa com mentalidade de três anos é “inteligente” o suficiente para desperdiçar energia atrás de algo tão insignificante e...e com menos de um décimo de sua inteligência !!”
Nestes momentos falta alguém para te segurar no último segundo...e, portanto, devemos evitar quedas desnecessárias.
Como não poderia faltar, deixo escapar meu sórdido e sarcástico sorriso...tão ridículo que ilumina a escura manhã de segunda-feira.

P.S 1 – Somente a vergonha na cara nos salvará.
P.S 2 – Repitam três vezes ao acordar e antes de dormir.

terça-feira, maio 02, 2006

“Cem Horas de Solidão” ou “Exílio na Rua Principal” ( II )

A noite de Sexta-Feira não é muito digna de nota, é sem brilho, as ruas estão desertas e me sinto particularmente ameaçado com minha câmera digital ao andar pela zona portuária – não me perguntem a razão, talvez um tétrico impulso suicida me impulsiona, não sei ao certo...e realmente tal coisa não importa muito – mas não resisti a tentação de andar por estas velhas e escuras ruas de público duvidoso, e ainda com uma fumaça gélida saindo de dentro dos bueiros - ...ora, não podia passar sem um aspecto sombrio ! No fim, eu mesmo pareço uma pessoa ameaçadora à noite.
Tolices de um idiota incorrigível...

Por volta do meio-dia de Sábado estou de volta à zona portuária para almoçar no mercado del puerto, não como nada além de picanha com um fantástico gosto de carne verdadeira e uma jarra de vinho espanhol, ambos tão maravilhosos que por si só valeriam a viagem. Vejo com curiosidade e fascinação o dono do estabelecimento no qual estou expulsar um trio de amigos estadounidenses (assim eu creio, pois na rápida discussão falavam inglês...sim, sim, podiam perfeitamente serem de outro lugar, mas ninguém se importa) pela razão deles se recusarem a não fumar dentro do restaurante – para quem não sabe, um adendo particular, no Uruguai é proibido fumar em qualquer local fechado público, não existem mais áreas específicas para fumantes, e é de admirar o quanto as pessoas respeitam e fazem respeitar tal lei – um fato admirável sem sombra de dúvidas...
E um dia depois eu ainda viria um conhecido colunista – o fumante inverterado mais conhecido do Rio Grande do Sul, eu creio – da Zero Hora fumando escondido dentro do banheiro de um hotel em Punta del Este, embora isso não venha ao caso neste momento...(na verdade eu só queria ilustrar o alcance da proibição).
Irrelevâncias de um homem idealista...

Caminho cuidadosamente na praia com o intuito de não sujar os sapatos com areia...o Mar del Plata enche meus olhos e preenche minha alma, ele de certa forma é parte integrante desta cidade e, ouso afirmar, parte integrante do meu ser...como se ele me conhecesse profundamente e soubesse o quanto eu sou irrelevante perto dele. Dedos de pedra saem do fundo da areia como se pedissem ajuda; talvez mesmo ocorra o contrário...é possível que na verdade eles é quem estejam oferecendo socorro. Admito não compreender perfeitamente o que me leva a aceitar a oferta e me sentar, cansado, com as costas apoiadas em uma destas pedras.
Será idiotice demais de minha parte esperar que as próximas ondas que vislumbro adiante, em minha direção, tragam algum sentido para o que não tem sentido?? Perco-me em mim mesmo tentando encontrar uma resposta para tal enigma.
Um caminho sem volta.

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Eu teria ainda mais algumas coisas a escrever sobre esta viagem; alguns aspectos a desenvolver melhor...mas creio que é conveniente finalizar aqui.